Pesquisadores registraram 115 tartarugas nas Ilhas do Rio desde 2020

Publicado em: 24/01/2023 emDestaque

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Das 115 tartarugas registradas, pelo menos 40 foram vistas mais de uma vez, o que indica comportamento de residência nas ilhas. Uma delas foi reavistada na mesma região 815 dias depois do primeiro registro.

 

A pesquisa com tartarugas marinhas é uma linha inédita do Projeto Ilhas do Rio, iniciada em 2020, que tem como objetivos identificar as espécies de tartarugas marinhas que frequentam o Monumento Natural das Ilhas Cagarras, registrar e monitorar indivíduos residentes, bem como a forma de uso do habitat e as ameaças que elas podem enfrentar nas ilhas. Desde o início das pesquisas, em setembro de 2020, até dezembro de 2022, já foram catalogados 115 indivíduos de tartaruga-verde e 2 indivíduos de tartaruga-de-pente. Os registros foram feitos nas ilhas Comprida e Redonda, dentro do MONA Cagarras, e nas ilhas Pontuda e Alfavaca, no arquipélago das Tijucas, estes últimos feitos pela pesquisadora responsável, Suzana Guimarães, durante mergulhos recreativos. Além disso, registros enviados por parceiros e outros pesquisadores do projeto também foram incluídos no banco de dados.

 

Das 115 tartarugas avistadas, 40 apresentaram comportamento de residência, ou seja, foram vistas mais de uma vez numa mesma ilha. O indivíduo com o maior tempo de reavistagem, residente da Ilha Comprida e catalogado como TC013, vem sendo acompanhado pelos pesquisadores desde 29 de setembro de 2020. Ele foi reavistado pela última vez em 23 de dezembro de 2022, 815 dias depois, ou quase 27 meses, desde seu primeiro registro. 

 

Esta tartaruga utiliza, até o momento, o mesmo local para descanso e é sempre encontrada ou dormindo ou na área já identificada pelos pesquisadores como sendo um ponto de agregação alimentar na Ilha Comprida, batizado de Restaurante 1. Ela possui 37 cm de comprimento curvilíneo da carapaça, medido pelos pesquisadores com uma fita métrica durante o mergulho. Um fato curioso é que em janeiro de 2022, os pesquisadores perceberam que o local utilizado por este indivíduo estava recoberto por restos de conchas de mexilhão. Desde então, ela não havia sido mais avistada descansando nesse lugar. Em agosto de 2022, já sem os restos de cascas de mexilhão na área, ela voltou a utilizar o local como ponto de descanso. Isso indica que a prática ilegal da retirada de mariscos neste ponto pode estar impactando diretamente as tartarugas marinhas com relação à utilização do habitat.

Outro fato interessante é que, até o momento, nenhum indivíduo foi visto em mais de uma ilha, ou seja, as tartarugas que são encontradas na Ilha Comprida nunca foram vistas na Ilha Redonda e vice-versa. Isso indica que após encontrarem refúgio e alimento suficientes para permanecerem em uma das ilhas do MONA Cagarras, elas escolhem esta área específica como local de moradia e permanência durante um período de tempo, sem a necessidade de migrarem para outras regiões. 

 

METODOLOGIA

Em cada encontro com uma tartaruga, é feita a identificação da espécie e são anotados os dados como local, profundidade, hora, comportamento apresentado, possíveis debilidades ou anomalias corporais externas e a estimativa de tamanho do animal (pequeno, médio e grande para juvenis). Além disso, são tomadas fotos de todas as tartarugas, principalmente da região da cabeça, que incluem a vista dorsal (topo da cabeça), a vista lateral direita e a esquerda. As placas da cabeça da tartaruga funcionam como impressões digitais, que permitem a identificação de cada indivíduo por meio da metodologia que é chamada de foto-identificação. 

Vista das placas pós-orbitais direitas do mesmo indivíduo avistado em dias diferentes, dias 28/02/2022 e 17/06/2022. Tomando 6 placas como comparativo é possível verificar que, apesar da angulação diferente da cabeça em cada dia, o formato da marcação é o mesmo. O desenho realizado na imagem da esquerda foi copiado e colado na da direita afim de demonstrar como o programa I3S identifica os padrões, mesmo com variações que podem ocorrer.

No caso de alguma tartaruga ser vista, mas não seja possível realizar as fotos da região da cabeça, ela é cadastrada como um registro, mas não como um indivíduo catalogado no banco de dados. As condições do mar e atmosféricas do dia também são verificadas e anotadas em planilha de campo.

PRÓXIMOS PASSOS

Para o primeiro semestre de 2023, o foco da pesquisa segue nas Ilhas Comprida e Redonda, alternando entre mergulhos matutinos, vespertinos e noturnos para identificar a forma de uso do habitat e o comportamento ao longo de todo um dia.