Projeto Ilhas do Rio

Monumento Natural das Ilhas Cagarras

Em 2003, houve uma proposta de lei para a criação de um Monumento Natural, incluindo as atuais ilhas em um raio de 10 m e mais a Ilha Rasa, com um raio de 200 m.

Monumento Natural das Ilhas Cagarras

Uma proposta de Parque Estadual Marinho foi aventada em 2004, sem a delimitação de área, no entanto. Uma revisão da proposta de Monumento Natural foi feita em 2006, pelo IBAMA, delimitando o interior do Arquipélago das Cagarras e uma Zona de Amortecimento com raio de 500 m no entorno do mesmo. Dentro dos limites do MoNa Cagarras estão as ilhas Cagarra, Redonda, Comprida e das Palmas, conjuntamente com as ilhotas Filhote da Cagarra e Filhote da Redonda, acrescidas da área de 10 m de raio no entorno de cada uma.

Revisão da proposta de Monumento Natural

Uma proposta de Parque Estadual Marinho foi aventada em 2004, sem a delimitação de área, no entanto. Uma revisão da proposta de Monumento Natural foi feita em 2006, pelo IBAMA, delimitando o interior do Arquipélago das Cagarras e uma Zona de Amortecimento com raio de 500 m no entorno do mesmo. Dentro dos limites do MoNa Cagarras estão as ilhas Cagarra, Redonda, Comprida e das Palmas, conjuntamente com as ilhotas Filhote da Cagarra e Filhote da Redonda, acrescidas da área de 10 m de raio no entorno de cada uma.

Ilha Cagarra

A ilha que dá nome ao arquipélago e à Unidade de Conservação é admirada das praias cariocas por milhares de moradores e turistas. Não apresenta um histórico marcante de ocupação por acampamentos de pesca ou uso para passeios turísticos através de trilhas. No entanto, uma armação rústica de madeiras foi observada no alto da ilha, em julho de 2011, sugerindo um antigo acampamento provisório.
A vegetação rasteira e arbustiva, com arbustos retorcidos e baixos, auxilia na manutenção de um ambiente mais ameno quanto a insolação. Essa vegetação e até mesmo partes de rocha nua abrigam um importante ninhal do atobá-marrom (Sula leucogaster). O ninhal de atobá-marrom estende-se por diversos locais da ilha, inclusive onde os ventos são fortes e a insolação intensa, como na parte alta da ilha.

Filhote da Cagarra

Esse pequeno rochedo tem baixa altitude e feições arredondadas, permanecendo encoberto pela Cagarra “Mãe” para um observador localizado na Praia de Ipanema. Nessa ilhota há um vale profundo formado entre as duas porções mais altas, no qual o mar adentra com uma força considerável.

Esse pequeno rochedo tem baixa altitude e feições arredondadas, permanecendo encoberto pela Cagarra “Mãe” para um observador localizado na Praia de Ipanema. Nessa ilhota há um vale profundo formado entre as duas porções mais altas, no qual o mar adentra com uma força considerável.

É possível encontrar sinais de ocupação humana recente pelos fios de eletricidade amarrados nas rochas, utilizados para auxiliar na transposição de locais íngremes. A presença de lixo sólido é mais visível na parte baixa, pois é carreado pelas ondas do mar. Pode-se afirmar que é uma das áreas menos frequentadas do MoNa Cagarras.

Filhote da Cagarra

Essa ilha se alinha com a Ilha Cagarra paralelamente ao litoral, sendo facilmente reconhecida da Praia de Ipanema pela grande concentração de palmeiras jerivá (Syagrus romanzoffiana), as quais dão nome à ilha. O relevo tem baixa altitude, a porção leste é mais alta que a oeste, com transição suave, sendo a porção norte mais íngreme que a sul, o que dificulta o deslocamento por terra. De todas as ilhas do MoNa Cagarras é a mais próxima do Emissário Submarino de Esgoto de Ipanema (ESEI), localizando- se a aproximadamente 1,7 km de sua zona de descarga.

Na parte noroeste há um pequeno farol automático, onde o costão rochoso tem uma inclinação suave, formando uma rampa de fácil desembarque. Sua vegetação, em grande parte, é fechada em um cordão de moitas densas de bromélias e cactos, o qual dificulta a penetração ao interior da ilha. Destaca-se na formação dessas moitas a bromélia Alcantarea glaziouana, de grandes dimensões e alta densidade, restrita à Ilha das Palmas no MoNa Cagarras.

Na porção submarina, o costão rochoso estende-se suavemente até a interface com o fundo, havendo uma maior complexidade do substrato nas regiões medianas da ilha, no eixo norte- sul. As profundidades não ultrapassam os 15 m na porção norte, chegando aos 20 m na parte sul, voltada para o interior do arquipélago. Há uma pequena enseada voltada para o litoral, onde nota-se diversos tipos de lixos sólidos sanitários, como lâminas de barbeadores junto com anéis de vedação de tubulações, o que pode significar indícios da influência do ESEI.

Ilha Comprida

A Ilha Comprida é a principal responsável por garantir as águas abrigadas do interior do Arquipélago das Cagarras, representando um tradicional abrigo para os navegantes em dias de fortes ventos e ondas, vindas do quadrante sul. Seu formato alongado, baixa altitude e fácil acesso fazem dela a ilha mais conhecida e visitada no MoNa Cagarras. Historicamente ocupada por acampamentos de pesca, apresenta marcas desta ocupação, como áreas de vegetação suprimida. A atual ausência de ninhos de aves marinhas é outra característica marcante da Ilha Comprida. Com exceção também da Ilha das Palmas, as demais dessa UC abrigam ninhais destas aves.

Na porção oeste há uma mata bem desenvolvida, com árvores de médio porte, enquanto na parte leste encontra- se outra mancha arbustiva, separadas por uma extensão central da ilha colonizada, em boa parte, por capim colonião (Megathyrsus maximus).

Sua porção norte é bastante abrigada dos ventos e ondas predominantes do quadrante sul e leste, constituindo-se no ancoradouro mais utilizado no local. A porção submersa nesta área é predominantemente rochosa, com muitas tocas e profundidade máxima entorno de 13 m.

Já na face sul, o costão rochoso é mais íngreme, exposto ao batimento de ondas e chega aos quase 40 m de profundidade.

Ilha Redonda

Imponente no horizonte, esta é a maior de todas as ilhas do MoNa Cagarras, onde os paredões escarpados contrastam com a mata do seu cume.

É também a mais alta das ilhas do MoNa Cagarras, com 237m de altitude. Sua face sudoeste tem uma rampa menos inclinada que o restante da formação rochosa onde na maior parte apresenta escarpas desde a base até o cume.

No quadrante norte da base há uma descontinuidade desta escarpa, com uma seção rochosa mais abaulada, onde se desenvolve uma vegetação com forte predomínio de gramíneas e arbustos. As profundidades variam desde uma rasa piscina de maré, com menos de 2 m, até quase 40 m nos costões expostos ao alto mar.

Além de áreas com o costão rochoso em um forte declive, há um predomínio de matacões e grandes blocos submersos que criam espaçosas tocas para invertebrados, peixes e tartarugas.

No encontro dessa formação com a areia e o cascalho do fundo, entorno dos 25 m, espécies raras no MoNa Cagarras podem ser encontradas, como anêmonas de tubo (Ceriantheopsis sp.).

A Ilha Redonda impõe-se soberana no mar, abrigando um fantástico ninhal predominado por fragatas (Fregata magnificens). A floresta de Mata Atlântica no seu cume confere uma áurea misteriosa a este monolito de gnaisse, que pode ser apreciado de diferentes ângulos, tanto da terra como do mar, servindo assim como uma importante referência da cidade do Rio de Janeiro.

O estudo da fauna e flora terrestres requer uma logística toda especial para acessar as partes mais altas da ilha, assim como pernoitar em suas encostas íngremes da base. Os acampamentos montados nesta ilha revelaram importantes informações sobre a história natural do local e permitiram aos pesquisadores registrarem diferentes pontos de vista da costa carioca

O deslocamento por diversos pontos da ilha é sempre marcado pela presença de uma grande quantidade de itens levados pelas aves marinhas. Plásticos e vidros são comumente encontrados desde a base até as partes mais altas.

Torneiras, escovas de dente, pentes, brinquedos de crianças, vidros de remédios, de esmaltes, de pintura facial e lâmpadas incandescentes são alguns destes inusitados resíduos sólidos levados ao local pelas fragatas e atobás. A disputa por lixos flutuantes é ferrenha entre as aves marinhas, que os utilizam para auxiliar na construção de seus ninhos no solo e nas copas das árvores e arbustos.

Filhote da Redonda

Essa pequena formação, localizada “à sombra da ilha mãe”, fica separada apenas por um canal de 130 m de largura por 40 m de profundidade, na porção sudoeste da Ilha Redonda, distanciando-se da costa mais do que qualquer outra do MoNa Cagarras. Ela guarda uma caverna cuja entrada está submersa, conhecida pelos mergulhadores como “Buff da Redonda”.

Seu pequeno porte a deixa bastante exposta a ondulações, o que dificulta o desembarque em seus costões. A sensação de uma ilha com baixa riqueza de espécies é a primeira impressão que essa transmite.

Apesar dessa impressão se confirmar rapidamente após uma caminhada até o cume, a presença de espécies raras e de distribuição restrita dentro da UC alerta para um necessário levantamento detalhado da biodiversidade local. Fendas nas rochas, frestas profundas entre grandes blocos graníticos e depressões capazes de acumular lâminas de água, com alguns centímetros de profundidade, formam um ambiente chave para anfíbios, por exemplo. Além disso, foram observadas pequenas tocas e cavernas nas bordas sudoeste e nordeste, respectivamente, podendo servir de abrigo potencial para morcegos e aves terrestres.

De maneira similar à Ilhota Filhote da Cagarra, o solo também é bastante friável, esfarelando-se com facilidade. Há um topo aplainado coberto por gramíneas e moitas de vegetação arbustiva baixa. Alcançar esta região é dificultado pela acentuada inclinação das bordas do platô, ao que se soma a inconsistência do solo. As formigas são muito comuns na área. Nas bases dos arbustos e entre as gramíneas da face norte inclinada há ninhos de atobá-marrom (Sula leucogaster).

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