Poluição do mar na mira de novas linhas de pesquisa do PIR

iLHAS

Neste segundo semestre de 2022, o Projeto Ilhas do Rio inicia seu terceiro ano de trabalho na quarta fase do projeto, contando com a curadoria técnica do WWF Brasil e o patrocínio da Associação IEP e JGP. Além das linhas de pesquisa já realizadas pelo projeto até o momento, neste ano quatro novas linhas serão iniciadas, três delas relacionadas à poluição no mar. 

Devido à proximidade da costa, a qualidade ambiental do Monumento Natural das Ilhas Cagarras e de seu entorno pode ser impactada pela poluição das águas. Além da influência da Baía de Guanabara, a apenas 8 km das ilhas, ainda há o impacto do Emissário Submarino de Esgoto de Ipanema e do acúmulo de resíduos sólidos da cidade, que acabam chegando ao entorno das ilhas pela ação das chuvas, ventos e marés.

Em fases anteriores, o Projeto Ilhas do Rio realizou o monitoramento da Qualidade da Água para buscar compreender e aprofundar o conhecimento sobre as variações físico-químicas e microbiológicas da água no entorno do MONA Cagarras e áreas adjacentes. Nesta quarta fase, serão realizadas três diferentes linhas de pesquisa relacionadas à poluição do mar e a qualidade da água::

1. Lixômetro

Realização:  Projeto Ilhas do Rio em parceria com Associação Brasileira de Combate ao Lixo no Mar (ABLM)

Objetivo geral: Fornecer uma estimativa do volume de resíduos sólidos presentes nas areias das praias de Copacabana, Ipanema e Leblon para serem utilizados em campanhas de sensibilização do público usuário e como fator estimulador para melhorar as boas práticas quanto ao descarte incorreto do lixo.

As coletas serão realizadas simultaneamente nas três praias, todo domingo a tarde, no mesmo horário, antes da limpeza pública das praias, e na faixa de areia acima da linha de maré, para buscar estimativa do resíduo deixado pelos usuários.

Os resíduos coletados nos quadrats de tamanho padronizado serão contabilizados, pesados, separados e registrados para posterior descarte correto. Serão analisados dados de macro e microlixo para comparação entre as praias amostradas.

Os resultados serão divulgados através de dois triciclos que circularão na ciclovia das praias estudadas durante os finais de semana, de forma a sensibilizar os banhistas da problemática do lixo não descartado corretamente. Também serão feitas quatro gincanas através de campanhas de comunicação, buscando estimular boas práticas quanto ao descarte e recolhimento dos resíduos, tanto pelos banhistas quanto pelos comerciantes locais. Quem será que tem o quadrado mais limpo de praia?! 

2. Diagnóstico do lixo capturado pela pesca artesanal

Realização:  Projeto Ilhas do Rio em parceria com Bloom

Objetivos:

– Identificar o prejuízo na pesca artesanal gerado pela interceptação de lixo nas redes de pesca dos pescadores da Colônia Z13 de Copacabana;

– Indicar potencial de reuso do plástico retirado do mar pelas redes de pesca;

Para o diagnóstico do impacto do lixo na atividade de pesca artesanal, será desenhado o design amostral dos resíduos de forma colaborativa com as lideranças da Colônia Z13. Também serão feitos intercâmbio de informação sobre metodologia de levantamento de dados de lixo em comunidades pesqueiras através de workshops com iniciativas de sucesso já em andamento, como o projeto parceiro Nós da Ação, no litoral de São Paulo.

Dados como tipo de lixo, peso e gravimetria, serão amostrados junto ao desembarque pesqueiro em Copacabana. Além disso, através de questionários, serão anotados dados socioeconômicos, bem como a percepção dos pescadores sobre o prejuízo causado pelo lixo tanto no ambiente, quanto na sua atividade pesqueira.

Por fim, ainda será feito um estudo do potencial de reuso do lixo ou pagamento por serviços ambientais, em especial em relação ao plástico retirado do mar, com base no levantamento de atores envolvidos no tema do Brasil. 

3. Qualidade da água – pesquisa sobre mexilhões como monitores da poluição por esgoto no MONA Cagarras. 

Realização: Projeto Ilhas do Rio em parceria com Laboratório de Hidrobiologia da UFRJ.

O MoNa Cagarras está sujeito a diferentes fontes de poluição que chegam por meio de ventos e correntes, pois está localizado a menos de 2 km a noroeste do Emissário Submarino de Esgoto de Ipanema e a 8 km das águas poluídas da Guanabara Baía (BG). A análise dos parâmetros de qualidade da água no entorno do MONA Cagarras é de extrema importância para o seu plano de gestão.

O presente trabalho busca investigar se o Emissário Submarino ou Baía de Guanabara influencia a praia de Ipanema, que é muito frequentada por turistas e moradores da cidade do Rio de Janeiro, e/ou o MoNa Cagarras, que é um arquipélago de grande importância ecológica. Os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de ações públicas que visem garantir a segurança dos banhistas que utilizam a praia e condições favoráveis à manutenção da biodiversidade da Área Marinha Protegida..

Objetivos e metas

  • Para estudar a qualidade sanitária das águas do MoNa Cagarras, pretendemos:
  • – Coletar amostras mensais de mexilhões (Perna perna Linneaus 1758) em três localidades dentro do MoNa Cagarras;
  • – Coletar amostras mensais de água nos mesmos locais;
  • – Analisar os mexilhões para (1) coliformes fecais e totais e (2) Enterococcus;
  • – Relatar a qualidade sanitária para a região.

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