Promovida pelo Ilhas do Rio em parceria com o INMAR, oficina reuniu profissionais da Barra da Tijuca e Guaratiba para debater sustentabilidade, segurança e ordenamento turístico.
O que começou como um pedido de socorro de quem vive o dia a dia no mar transformou-se em um marco para a conservação marinha na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Na última terça-feira (26/05), a sede do Instituto Núcleo Maré (INMAR), na Praia dos Amores, Barra da Tijuca, sediou a primeira oficina “Turismo Responsável nas Ilhas Tijucas”. O evento resultou em uma vitória coletiva: a elaboração de um Código de Boas Práticas construído pelos próprios trabalhadores do mar.
A iniciativa foi promovida pelo Ilhas do Rio em parceria com o INMAR. Para este projeto piloto, foram selecionados 20 operadores de turismo náutico da Barra da Tijuca e três convidados de Guaratiba — estes últimos chamados como lideranças estratégicas devido à sua experiência com o avistamento de baleias.
O engajamento surpreendeu a organização. Com uma extensa lista de espera, os participantes lotaram o espaço das 8h da manhã até quase 14h, mantendo uma participação ativa e interessada até o último minuto.
Da mobilização à ação: a ciência a favor do mar
A urgência pelo ordenamento partiu dos próprios barqueiros, preocupados com o crescimento desordenado do turismo e os impactos ambientais visíveis na região.
A abertura oficial do encontro contou com o peso institucional de Tatiana Ribeiro, gestora do Monumento Natural (Mona) das Ilhas Cagarras (ICMBio). Ela compartilhou a experiência de ordenamento de uma Unidade de Conservação federal e celebrou a iniciativa de auto-organização do grupo, destacando a importância de os próprios operadores buscarem essa qualificação.
Em seguida, Noa Magalhães, apresentou um panorama completo dos 10 anos de pesquisas científicas realizadas pelo Ilhas do Rio nas Ilhas Tijucas.
“Trouxemos o estado da arte da nossa biodiversidade e alertamos sobre os impactos do turismo desordenado e da poluição. Destaquei algo fundamental: se ainda não temos um ordenamento oficial na área, nossa maior ferramenta de conservação é a mobilização da sociedade, que era exatamente o que eles estavam fazendo ali”, relatou.
Segurança, turismo e baleias
A programação da oficina foi desenhada para cobrir todas as necessidades de quem opera no mar. Felipe, representante do Senac, conduziu um painel sobre turismo responsável e empreendedorismo sustentável, mostrando que a proteção agrega valor ao serviço prestado.
A segurança na navegação, um tema vital, especialmente na saída do Quebra-mar da Barra, foi abordada pelo Corpo de Bombeiros. A interação foi tão produtiva que os militares já firmaram um compromisso com os barqueiros, que é a realização de uma futura aula prática de resgate e emergências dentro d’água.
Preparando os operadores para a temporada de inverno, a especialista Liliane Lodi conduziu um bloco focado na observação de cetáceos. Ela repassou protocolos de segurança e sustentabilidade para garantir que o avistamento de baleias-jubarte durante a temporada migratória ocorra sem estressar os animais ou causar impactos ambientais.
Um legado protocolado
Usando o Código de Boas Práticas do Mona Cagarras como inspiração, os operadores debateram e construíram o seu próprio documento para as Ilhas Tijucas e a equipe do Ilhas do Rio vai formatar e dar robustez técnica ao documento gerado. Em seguida, os próprios barqueiros assumirão o protagonismo de protocolar o Código de Boas Práticas oficialmente junto à Capitania dos Portos.
Com o sucesso absoluto desta primeira edição, a expectativa é que o projeto seja expandido para atender a lista de espera, transformando cada vez mais operadores em verdadeiros guardiões do patrimônio natural carioca.