Ação conjunta entre o Ilhas do Rio, Parley for the Oceans e Copacabana Palace removeu redes a mais de 30 metros de profundidade no litoral carioca.
Uma ameaça silenciosa e quase invisível espreita a rica biodiversidade do litoral do Rio de Janeiro. Para combater esse perigo, uma força-tarefa uniu ciência, mergulho especializado e conscientização ambiental no Monumento Natural (MoNa) das Ilhas Cagarras. Nos primeiros dias de junho, uma expedição retirou 93 kg de resíduos do fundo do mar, com destaque para as temidas “redes fantasmas”, redes perdidas, descartadas ou abandonados no mar, que continuam capturando e matando animais marinhos indefinidamente.
A operação, que ganhou destaque em reportagem da TV Globo, foi fruto de uma parceria estratégica entre o Ilhas do Rio (Instituto Mar Adentro), a organização global Parley for the Oceans, o Copacabana Palace e o ICMBio.
A missão a 30 metros de profundidade
A rede removida nesta operação já havia sido mapeada e identificada por pesquisadores há mais de um ano. Para resgatá-la, uma equipe de mergulhadores profissionais desceu a mais de 30 metros de profundidade. O trabalho exigiu planejamento e cuidado: as redes, muitas vezes presas às rochas do fundo, foram amarradas a bóias de elevação que, em questão de minutos, trouxeram o material à superfície.
O perigo da “pesca fantasma” e o resgate da fauna
As redes fantasmas funcionam como armadilhas perpétuas. Feitas de plástico, elas não apenas capturam peixes, tartarugas e crustáceos de forma acidental, mas também se degradam com o tempo, liberando microplásticos diretamente no oceano.
Durante a remoção, a equipe conseguiu realizar o resgate de diversas espécies que estavam presas nas malhas, incluindo caranguejos e estrelas-do-mar, devolvendo-os ao seu habitat natural. Cada rede retirada representa um alívio imediato para o ecossistema, poupando a vida de inúmeros animais.
Além das redes, os mergulhadores se depararam com um cenário preocupante de lixo submerso. Foram recolhidos óculos, latas, garrafas e até mesmo uma vara de pesca. Como o material retirado apresentava alto grau de incrustação biológica – o que inviabiliza a reciclagem convencional -, o descarte adequado foi feito em parceria com a Marina da Glória.
Conscientização para o futuro
Mais do que limpar uma área específica, a ação teve como objetivo principal alertar a sociedade para a urgência da conservação marinha. O surfista de ondas grandes Pedro Scooby, que apoiou a iniciativa e acompanhou a expedição, resumiu o espírito da ação:
“Um projeto desse não é para falar ‘olha gente, estamos limpando a natureza’. A gente não vai limpar a natureza, mas a gente pode conscientizar as pessoas. Eu tenho quatro filhos e quero um futuro melhor para eles, quero que continuem usufruindo do mar, mergulhando e surfando.”
Através da educação ambiental e de parcerias sólidas, o Ilhas do Rio e seus parceiros mostram que é possível unir forças para preservar esse patrimônio natural maravilhoso. A vida resiste sob as águas cariocas, e protegê-la é fundamental para a nossa própria sobrevivência.
Assista à reportagem: