Ilhas do Rio, Parley e Copacabana Palace retiram 12 quilos de lixo do fundo do mar nas Cagarras

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Em parceria com a Parley for the Oceans e o Belmond Copacabana Palace, realizamos uma operação de limpeza subaquática na Ilha de Palmas, dentro do Monumento Natural do das Ilhas Cagarras (MoNa Cagarras). Ao todo, 55 itens e 12 quilos de resíduos foram retirados do fundo do mar.

Como foi a ação

No dia 28 de setembro, 15 mergulhadores, divididos em duplas, percorreram durante 50 minutos toda a face norte da Ilha de Palmas em busca de resíduos sólidos no costão rochoso. Após o mergulho, o material foi pesado e separado para catalogação. A operação de mergulho foi coordenada pela Mergulho Carioca, com apoio do ICMBio.

A escolha da Ilha de Palmas não foi por acaso: ela é um dos pontos menos visitados pelo turismo de mergulho e, por ser a mais próxima da Praia de Ipanema, está mais sujeita aos impactos da poluição urbana.

O que encontramos

O levantamento revelou a heterogeneidade da poluição marinha na região. Entre os itens retirados do mar, estavam anzóis, linhas e uma vara de pesca, termômetro, aparelhos de barbear, fitas de teste de glicemia, brinquedos, eletrônicos, plásticos diversos e até um pneu recém-descartado, já que tinha pouca incrustação de vida ainda. 

O acúmulo de insumos hospitalares, como materiais para teste de glicemia e termômetro, sugere que parte desses resíduos chegou ao mar pela rede de esgotamento sanitário urbano, descartada no emissário submarino de Ipanema. Um dado que reforça a pressão que as áreas urbanas exercem sobre as nossas Unidades de Conservação costeiras.

Para quem acompanha o Ilhas do Rio, não é novidade que as Ilhas Cagarras formam  uma unidade de conservação federal de proteção integral e abriga rica biodiversidade, com aves marinhas, peixes, tartarugas e diversas outras espécies. Em 2021, o conjunto foi reconhecido como um Hope Spot (Ponto de Esperança) pela Mission Blue, aliança internacional de conservação marinha liderada pela bióloga Sylvia Earle.

O desafio da poluição plástica

Os dados da operação ganham ainda mais relevância diante do cenário global. Cerca de 11 milhões de toneladas de plástico entram no oceano anualmente, com estimativas de até 37 milhões de toneladas por ano até 2040. No Brasil, o descarte é de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas por ano, o que coloca o país como o maior poluidor marinho da América Latina. O problema afeta mais de 4 mil espécies de organismos marinhos, por emaranhamento e ingestão acidental.

Para nós, a articulação entre iniciativa privada, organizações socioambientais e pesquisa técnica de campo demonstra a efetividade da cooperação na proteção das Unidades de Conservação costeiras. Os dados catalogados fornecem um diagnóstico da pressão exercida pelas áreas urbanas sobre o ecossistema insular carioca  e servem de base para medidas concretas de mitigação, controle de fontes e engajamento coletivo.

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