O festival de cinema ambiental do Rio abriu sua edição de 2026 celebrando a trajetória de quem dedicou a vida a conhecer e proteger baleias e golfinhos na costa carioca
Tem notícia que a gente recebe com um orgulho difícil de caber em palavras. No dia 23 de setembro, a 15ª edição do Filmambiente, o Festival Internacional de Cinema Ambiental, abriu sua programação no Estação Claro Rio com uma homenagem à bióloga Liliane Lodi, pesquisadora do Ilhas do Rio e coordenadora da nossa equipe de pesquisa sobre cetáceos.
O festival reconheceu a Liliane como pioneira na conservação de cetáceos no Brasil e lembrou projetos que ela ajudou a construir, como o Baleias & Golfinhos do Rio de Janeiro e o próprio Ilhas do Rio. Para nós, que dividimos com ela o barco, o campo e as longas horas de análise de dados, a homenagem tem um sabor muito especial. É o reconhecimento público de uma trajetória que muitas vezes acontece longe dos holofotes, no mar, de câmera na mão, esperando uma nadadeira aparecer na superfície.
Uma vida olhando para o mar do Rio
Boa parte do que hoje se sabe sobre baleias e golfinhos nas águas cariocas passa pelo trabalho da Liliane. Foi o Ilhas do Rio que registrou, em 2014, a presença das baleias-jubarte no litoral da cidade. Desde então, a Liliane acompanha de perto a volta desses animais. Este ano, ela foi a voz que explicou à imprensa, do Rio ao The Guardian, o que estava acontecendo quando as jubartes apareceram na Baía de Guanabara, como a jovem Glorinha.
É um trabalho feito com paciência e método. Cada baleia é identificada pelo desenho único da cauda, cada avistamento vira dado, e cada dado ajuda a orientar decisões sobre como proteger esses animais. É a nossa essência em prática: conhecer para transformar.
Cinema e ciência, lado a lado
Ver esse trabalho celebrado por um festival de cinema faz todo o sentido para nós. Criado em 2011 pela produtora e curadora Suzana Amado, o Filmambiente exibiu gratuitamente 60 filmes brasileiros e estrangeiros no Rio e em Niterói, sob o eixo Ações e Consequências. Em entrevista ao C7nema, Suzana defendeu que o cinema ambiental precisa ir além de informar: precisa tocar as pessoas pelos sentidos e criar empatia.
A ciência que fazemos no Ilhas do Rio busca algo parecido. Os dados são a base de tudo, mas o que muda a relação de uma cidade com o seu mar é quando as pessoas passam a se sentir parte dele. Poucas pessoas fizeram tanto por isso quanto a Liliane.
Liliane, obrigado por tudo o que você construiu e segue construindo. Essa homenagem é sua, e a gente tem muito orgulho de estar ao seu lado.
Assista ao vídeo da abertura do festival: